terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Por que somos ateus?

• A idéia de deus, desde o surgimento do Estado, tornou-se o fundamento do poder. A palavra “hierarquia” significa, nos seus radicais gregos hieros e arquê, “poder do sagrado”. Os sacerdotes foram os primeiros agentes do aparelho coercitivo do Estado. Duvidar dos deuses, portanto, sempre foi, na história das civilizações, um crime contra o Estado. Por isso, o ateísmo sempre foi uma doutrina clandestina, perseguida, denunciada, estigmatizada, e seus porta-vozes são, por milênios, praticamente inexistentes na história do pensamento.Apenas a partir da época moderna da Ilustração que o livre-pensamento, o direito à dúvida e a descrença e, até mesmo, a afirmação da inexistência de deus, tornaram-se públicas, mesmo com a continuidade da vigência da censura policial dos livros e da perseguição aos ateus. Na verdade, só mesmo no século XX, e assim mesmo tardiamente, que o ateísmo pode tornar-se uma opinião tão legítima como qualquer crença religiosa. Mesmo hoje em dia, praticamente nenhum estado é efetivamente laico, havendo sempre concessões no campo da isenção de impostos, do acesso à educação, etc. Há cruzes nos parlamentos e tribunais e jura-se sobre bíblias oficialmente.O ateísmo existe como uma antiga herança materialista da filosofia grega e como um recente movimento social e intelectual dos séculos XIX e XX. Nesse período, tanto o marxismo, como anarquismo, o liberalismo e o positivismo manifestaram, de alguma forma, uma carga maior ou menor de ateísmo explícito ou atenuado na formulação de “agnosticismo”, que foi usada por pensadores como Bertrand Russel, por exemplo.Para esboçarmos uma definição geral, poderíamos dizer que o ateísmo recusa a idéia de que o destino do mundo esteja nas mãos de qualquer deus, admitindo no seu lugar a combinação das determinações naturais, do acaso e, particularmente, da vontade humana que, tanto no âmbito individual como no coletivo, representa um fator central para a descrição das histórias das vidas e das sociedades, no sentido de tentar compreendê-las.O ateísmo pressupõe, portanto, o primado da liberdade humana e de uma busca de autonomia sobre si na determinação do destino humano. A idéia de um desígnio, ao contrário, se apresenta como uma explicação das coisas pelos encadeamentos de uma vontade sobrenatural que escaparia ao nosso alcance.Desde a antigüidade clássica que alguns filósofos gregos e latinos questionaram a noção de um deus criador ou controlador do universo como algo incongruente. Mesmo sem sustentarem um ateísmo coerente e integral (lembremo-nos sempre que o debate do ateísmo sempre se fez de forma clandestina e, portanto, cifrada, sem uma exposição pública total de idéias cujo preço a se pagar por sustentá-las podia ser a morte ou até mesmo pior do que a morte, a tortura e a humilhação), se tornaram os marcos do pensamento cético e crítico das visões de mundo das religiões. Desses filósofos, o mais influente foi o grego Epicuro (341 a.C. a 270 a.C.), cujo nome passou a designar até hoje, no senso comum, uma atitude mais ou menos hedonista, o “epicurismo”, o que, na verdade, se oporia à postura real do filósofo, muito mais dirigida para o “equilíbrio” e a “moderação”.Mas, além do elogio dos prazeres e do seu uso equilibrado, Epicuro caracterizou-se por ser o primeiro a argumentar contra a idéia de que o destino é governado pelos deuses (mesmo que não afirmasse que eles não existiam). Sobre a idéia de um destino comandado pela vontade divina, Epicuro, num fragmento famosos dizia: “Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus. Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto, nem sequer é Deus. Se pode e quer, o que é a única coisa compatível com deus, donde provém então a existência dos males? Por que razão não os impede?”.Este tornou-se o argumento moral clássico contra a existência de um deus supostamente bondoso: por que existe o mal?Contra o medo dos deuses, Epicuro assim como o seu discípulo latino Lucrécio (98 a.C. a 55 a. C.) afirmaram idéias revolucionárias, muitas se aproximando de uma física verdadeiramente moderna, contrárias ao pensamento dominante de sua época e dos quase dois milênios que se seguiram, tais como: Nada se pode criar do nada.Não pode tudo nascer de tudo. Nada se aniquila inteiramente.O vazio existe.Tudo está em contínuo movimento.Não há desígnio.Não há centro no universo.O mundo não foi criado para nós.Há outros mundos.O espaço é infinito.Essas idéias ofereciam uma interpretação do curso dos fenômenos do mundo natural e humano em que não havia lugar para uma ação ou criação divina, nem para a interferência sobre o curso da natureza de forças “sobrenaturais”. Por isso, pode se chamar essa concepção como “naturalista” e “materialista”.Também em relação à alma, Epicuro enfrentou as crenças de sua época, defendendo a tese de que, ao morrer o corpo, a alma também se dissipa, pois só existe com o corpo e um espírito não poderia ser dotado de sentidos, pois estes dependem de órgãos carnais. Como escreveu Lucrécio: “toda a substância da alma se dissipa como o fumo nas aladas auras do ar”. A morte, portanto, nada é para nós, pois quando ela vem, já não somos e quando não somos nada sentimos.O destino do mundo na visão epicuriana, em última instância, tenderia a uma destruição da ordem atualmente existente entre céus e terras. O mundo não se formou conforme um plano, mas pelo movimento dos elementos. Assim, todos os fenômenos temidos na vida individual e coletiva como doenças ou trovões, raios ou terremotos possuiriam causas naturais e nem a morte ou a salvação, a doença ou a cura, a fortuna ou o desatre, dependeriam da vontade ou da intervenção de deuses.Lucrécio, no Livro V, do De rerum natura (Da natureza das coisas), apresentou quatro argumentos contrários a idéia de que o mundo fora criado por deuses.Três argumentos são lógicos:1) um ser perfeito não criaria um mundo imperfeito;2) se deus na eternidade estava em repouso por que o interrompeu?;3) o mundo não possuía nenhum modelo.E um argumento é ético ou moral: 4) a existência do mal é incompatível com um deus bom.Este último ficou conhecido como o argumento da justiça (ou injustiça) divina, ou da teodicéia. Como, sendo bom, deus permitiria o mal?As idéias de Epicuro e Lucrécio existiram no mundo mediterrânico vários séculos antes de Cristo. Com o advento da cristianização do Império Romano, pela primeira vez, uma religião monoteísta tornava-se dominante numa vasta área territorial. Para impor seu domínio declarou guerra implacável contra todos os outros deuses pagãos. Mais forte ainda, no entanto, foi a repressão às idéias negadoras da existência de deus. O ateísmo foi considerado um crime terrível e praticamente desapareceu da história das idéias na Europa. Epicuro e Lucrécio foram proibidos pela Igreja Católica, seus livros queimados e seus nomes condenados ao desaparecimento.Somente no Renascimento, as idéias de inspiração epicurista começaram a reaparecer, mas como sustentou Lucien Febvre, em seu livro clássico sobre o pensamento de François Rabelais, no século XVI a descrença ainda era algo inconcebível. Montaigne, mesmo que afirmasse a dúvida e exigisse o senso prático na análise das coisas tampouco chegaria a sustentar uma descrença em deus ou um ceticismo metodológico que se curvaria apenas diante da evidência dos fatos, conforme o método científico estabeleceria nos séculos seguintes. Muitos, como Rabelais e Villon, zombavam da Igreja, do clero, da escolástica, e mesmo de Cristo, dos santos e dos milagres, mas não chegavam a uma negação da idéia de deus como a filosofia materialista faria no século XVIII.No início do século XVIII, o pensamento ateu encontrou um sistematizador pioneiro na figura de um padre de aldeia na França, Jean Meslier, mas que apenas numa obra póstuma revelou seu pensamento desafiador, resumido em “oito provas” que demonstravam que:1) religiões são invenções humanas;2) a fé é um princípio de erro;3) as visões e revelações são falsas;4) as promessas e profecias são ilusões;5) a teologia e a moral cristã são absurdas;6) a religião em conluio com a política é a causa da opressão e da miséria;7) deus não existe;8) a alma não é imortal.Esse padre apenas revelou suas verdadeiras crenças depois de morrer, explicando que vivera uma terrível angústia de ter que defender publicamente o que não acreditava no seu íntimo.Voltaire, conhecendo o Testamento de Meslier ajudou a divulgá-lo, mas sob uma forma atenuada, adulterando e traindo o pensamento de Meslier. O barão D´Holbach, mais coerente, também se inspirou em Meslier e em seu Sistema da Natureza (1760), resumiu os três argumentos ateus clássicos como:a) o da “incongruência das qualidades” (deus não pode ser bom e onipotente ao mesmo tempo);b) o da “economia ontológica” (a natureza se basta para autocriar-se perpetuamente, não é preciso remeter sua origem e funcionamento a nada externo a ela própria);c) o da “nocividade política” (a idéia de deus serve para reis e sacerdotes governarem um povo crédulo e ignorante).Durante a Revolução Francesa, o líder jacobino Robespierre condenou os ateus, pois, para ele, a idéia de Deus servia à manutenção da moralidade pública. Entre os filósofos iluministas, os mais ateus também foram os de origem mais aristocrática e menos democráticos (D´Holbach, La Mettrie), enquanto Diderot, assim como Hume, na Inglaterra, precisavam disfarçar seus argumentos inventando diálogos em que personagens outros que não eles próprios podiam esgrimi-los. Voltaire era um deísta (acreditava num Deus, mas combatia a Igreja), Rousseau converteu-se duas vezes, primeiro ao catolicismo e, depois, retornou ao protestantismo de sua origem.O ateísmo não é, entretanto, apenas a não-crença em deus ou nos deuses, mas também a descrença na vida eterna. A idéia da imortalidade da alma é um complemento indispensável da noção judaico-cristã de uma justiça divina com condenações e salvações eternas no inferno ou paraíso.As tentativas de encontrar uma explicação para o destino humano nos caprichos dos deuses sempre respondeu ao desamparo humano diante da sorte e a religião nasce como medo do futuro, especialmente da morte e das calamidades. Como escreveu David Hume, “as primeiras idéias da religião não nasceram de uma contemplação das obras da natureza, mas de uma preocupação em relação aos acontecimentos da vida”. Quanto mais um homem vive uma existência governada pelo acaso (como jogadores e marinheiros), mais ele é supersticioso. A força da religião decorre, assim, da existência de causas desconhecidas para os males e as benesses da vida.Na história da crítica moderna e contemporânea da religião alguns pensadores de origem judaica, como Marx e Freud, ocuparam um lugar de destaque. Como comentou Isaac Deutscher, a maior contribuição do judaísmo para a humanidade foram os seus hereges que (de Cristo a Espinosa, Marx, Trotski ou Freud) desempenharam um papel central no desafio inicial da ordem vigente e na abertura do pensamento para um espaço de liberdade e amplitude de reflexão crítica. Do seio do monoteísmo original e mais estrito do judaísmo nasceram visões rebeldes, anti-dogmáticas e heterodoxas.Para Marx, a crítica da religião é uma condição preliminar de toda crítica. A religião é o consolo de uma consciência cuja vida não tem seus nexos conhecidos. A compreensão do papel ativo da humanidade na história seria a contrapartida a todas as formas de crenças ilusórias construídas pela ignorância do que move o próprio destino.Freud, de forma semelhante, vê na religião uma minoridade, uma recusa à responsabilidade sobre o próprio destino, uma sobrevivência da sensação infantil de amparo e temor simultâneo diante da figura paterna, e, portanto, uma neurose coletiva. Uma ilusão sustentada coletivamente como modo de vida, que ele considera, e tem a coragem de expor no seu livro O futuro de uma ilusão (1927), deverá ser superada para uma maturidade mais plena da humanidade.A linhagem do ateísmo na história do pensamento vai de Epicuro e Lucrécio, na antigüidade, a Meslier e D´Holbach no século XVIII, e Feuerbach, Marx e Freud, no XIX.Seu significado não é apenas de um debate de idéias, mas representa uma luta prática contra o poder das igrejas, especialmente o da Igreja Católica, que tem sido uma das forças mais sistematicamente arraigadas ao poder. A definição da modernidade em todos os seus aspectos: liberdade de pensamento, revolução científica, representação democrática popular, encontrou sempre na Igreja um dos seus mais fortes oponentes.O Vaticano fundamentou, através da doutrina do direito divino dos reis, todas as formas de opressão das monarquias e das nobrezas na história da Europa. Os versículos de inúmeros evangelhos (por exemplo, I Timóteo, 6: “Todos os servos que estão debaixo do jugo estimem seus senhores por dignos de toda honra, para que o nome de Deus e da doutrina não sejam blasfemados”), exigindo dos servos obediência aos seus senhores e condenando toda revolta foram usados durante dois milênios para justificar todos os governos, opressões e atrocidades.O modelo do Estado moderno de uma polícia e de um sistema judiciário centralizado, superpoderoso, obcecado pela informação, minucioso e extremamente cruel nasceu do aparelho do Tribunal da Santa Inquisição, usado tanto para perseguir hereges, ou seja, pensadores distintos do dogma, outras religiões (judeus, protestantes, cultos indígenas, etc.), ou devassos, sodomitas, e outros considerados como degenerados morais.Cada uma das revoluções democráticas ou dos levantes sociais dos séculos XVIII, XIX e XX tiveram de combater a hierarquia da Igreja Católica (entre o baixo clero sempre houve honrosas exceções) como uma das forças que se perfilavam ao lado dos mais radicais conservadores.Muitos movimentos sociais camponeses e anti-autocráticos surgiram do interior da própria Igreja, como ocorreu em parte dos reformistas protestantes. Na Inglaterra, seitas radicais defenderam a comunidade de bens, a igualdade entre os homens (algumas incluindo até as mulheres) e o fim das hierarquias sacerdotais. No decorrer da época moderna, estas vertentes protestantes, inicialmente progressivas, também se institucionalizaram, se burocratizaram e se elitizaram. As grandes Igrejas protestantes também são parte integrante do sistema de poder dos Estados Modernos, seja na versão Anglicana ou nas diversas outras existentes.Politicamente, a Igreja católica foi, nos primeiros séculos da época moderna, a principal força reacionária do mundo ocidental. Todos os direitos sociais e democráticos foram combatidos pela Igreja Católica: direito de voto, de representação popular, de cidadania feminina. A Igreja justificou a escravidão e abençoou as guerras e os reis. Antes do século XX, a Igreja Católica nunca se preocupou com direitos sociais e, apenas como reação aos movimentos socialistas, comunistas, anarquistas e liberais que resolveu, especialmente após o segundo-pós guerra, adotar uma “doutrina social”.Na agenda dos direitos civis, a Igreja sempre foi o inimigo principal de conquistas como: direito ao divórcio, ao aborto, aos homossexuais, ao uso de pílulas anticoncepcionais, de preservativos, de educação sexual.Até recentemente, nem o México nem os Estados Unidos reconheciam o estado do Vaticano, devido à formação anticatólica da independência desses países. Um Estado cuja cidadania é apenas masculina, sem qualquer forma de democracia, que representa uma religião mundial recebe reconhecimento oficial no que restou de um imenso território pontifical que a independência da Itália terminou por expropriar, impondo o tratado chamado de “Concordata”, que exigiu, até sua libertação por Mussolini, que o Papa permanecesse confinado no Vaticano. Com o nazismo, o Papa Pio XI manteve uma relação amistosa, sem denunciar o plano genocida de extermínio dos judeus.No século XX, a Igreja não hesitou em alinhar-se com Pinochet, em ajudar torturadores argentinos, em manter alianças com a Máfia e a Loja P-2 na Itália. A perda de fiéis do catolicismo para outras confissões torna-se cada vez mais crescente. Nos Estados Unidos, a Igreja gasta todo o seu orçamento em pagamentos de indenizações por abusos sexuais cometidos por sacerdotes. O maior país católico do mundo, que é o Brasil, tem, no entanto, a sua proporção de católicos na população diminuída de 74%, na última visita papal, para 64% atualmente.O enfraquecimento relativo do Vaticano ocorre, entretanto, num panorama global de aumento da influência dos fundamentalismos: cristão nos EUA; judaico em Israel e nos EUA; islâmico na Ásia, África e Europa; hinduísta na Índia; etc. O significado atual e permanente do ateísmo é oferecer uma visão crítica de todas as religiões, defendendo ao mesmo tempo o direito de existência e expressão da liberdade religiosa, a laicidade do estado e a garantia de uma educação pública, gratuita e laica.A laicidade e a liberdade religiosa são duas facetas da mesma atitude de tolerância e exigência de respeito ao caráter civil do estado, que deve defender a liberdade de todos os cultos, mas afastar-se de qualquer vínculo com qualquer um deles, garantindo que não haja discriminação por razões de crença religiosa mas também que as Igrejas não interfiram na educação básica nem na pesquisa científica.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

As lendas da Internet.

Mais cedo ou mais tarde você vai deparar com algumas dessas historinhas que vagam pela Internet. Vez por outra uma delas "cai" em sua rede, ou melhor, em sua caixa de correio eletrônico.Tais histórias são o formato ciberespacial das lendas urbanas. São relatos que, às vezes, trazem um viés (!) de verdade, um aspecto que as tornam plausíveis ou verossímeis e que chegam a perturbar um espírito mais crédulo, um bom samaritano virtual. Como todas as lendas e narrativas do folclore, as lendas urbanas têm algumas características bem curiosas. Ninguém sabe ao certo como nem onde elas surgiram nem quem foram os personagens originais.
Elas surgiram a partir de um fato cujos participantes são ignorados, ninguém mais se lembra quem foram. As lendas urbanas lembram as histórias dos discos voadores. Sempre alguém conhece alguém, que conhece alguém cujo amigo teve um "avistamento"... Mas a tal pessoa do avistamento mora longe, ficou traumatizada e evita falar do assunto, já morreu... uma coisa dessas.Um aspecto interessante de algumas lendas urbanas é a presença de um quê de humor, de alerta, de terror, de punição ou de algo que cativa uma alma mais caridosa. Com a Internet, os rumores, boatos, lendas e assemelhados ganharam uma extraordinária força de reprodução. O que antes era divulgado boca-a-boca e através de cartas ou fax agora ganhou um veículo muito mais eficiente.
Uma mentira, uma lenda, uma falsa notícia pode ser enviada ou reenviada a uma enorme quantidade de pessoas com uns poucos comandos ou com o pressionar de umas poucas teclas.Uma lenda que antes demorava dias ou meses para alcançar algumas dezenas, talvez centenas de pessoas agora pode alcançar milhares de pessoas quase que instantaneamente.
A lenda do filme em que Jesus e os apóstolos seriam apresentados como homossexuais circulou pela Europa através de cartas e fax por muitos anos até que a Internet apareceu para tornar a divulgação da mentira muito mais rápida. Essa lenda chegou ao Brasil e produziu alguns abaixo-assinados.
Welcome to the real world, you're HIV Positive, Vous venez d'être infecté par le VIH, "Bem vindo ao mundo da AIDS" (sic). Certamente, mensagens em outros idiomas circulam pela rede alertando para um acidente que jamais ocorreu: uma pessoa ser infectada por uma seringa contaminada num cinema, num teatro ou num metrô. Versões dessa lenda asseguram que o fato teria ocorrido em São Paulo, Montreal, Bombaim, Denver, Dallas e Escondido. (Escondido é uma cidade da Califórnia - EUA.)
Na era pré-Internet, as lendas, os rumores e os boatos circulavam boca-a-boca ou via correspondências. Disseminando-se de uma forma ou de outra, essas histórias tinham circulação um tanto restrita ou se espalhavam lentamente. Além disso, naquele tempo, como hoje em dia, correspondências se perdiam, ficavam guardadas em pastas esquecidas.Os contadores de boatos esqueciam algum detalhe e os recontavam à sua maneira acrescentando um ou dois pontos.A função de esquecimento está presente nos seres humanos, pois afinal de contas, não se pode guardar todas as ocorrências do dia-a-dia na memória.
Já a Internet tem a mesma virtude atribuída aos elefantes: uma excelente memória. Eles não esquecem jamais.Na Internet, nada se perde, tudo se arquiva.A Internet tem uma memória permanente pelo menos no que diz respeito às mensagens postadas em listas de discussão. As mensagens enviadas ficam arquivadas enquanto a lista existir. Há listas, criadas ainda na década de oitenta, que se mantêm vivas e com os seus arquivos atualizados.Além disso, há pessoas que possuem o hábito de manter um arquivo com todas as mensagens recebidas e enviadas. Enchem discos rígidos ou CD-ROM e os guardam da mesma forma como havia pessoas, e certamente ainda há, com mania de guardar todo o papel que lhe passa pela frente.Somadas as duas coisas, os arquivos das listas de discussão (e suas cópias de segurança) e mais os arquivos pessoais não seria difícil acreditar que tudo o que circulou pela Internet desde o seu nascimento até os dias de hoje ainda poderia ser recuperado. Inclusive todas as versões das lendas, dos boatos, dos rumores.O que antes era recontado segundo a percepção ou a preferência do contador da história, agora pode ser passado adiante, pode ser encaminhado na sua versão original.

Seguem alguns exemplos:

O sapato

É bem conhecida a história do sujeito que deu uma escapada para fazer um programa com a amante. No dia seguinte, pela manhã, ele, a mulher e a sogra vão a um casamento. Vão de carro. O marido dirige. Lá pelas tantas, ele tem de dar uma freada mais brusca e toma um grande susto: um sapato vermelho (a cor varia segundo o contador da história) aparece ali bem ao lado do pedal do acelerador. "Pronto! Fulaninha esqueceu o sapato dela no carro. O que é que eu faço?" Ele tem de livrar-se da prova fatal: o sapato deve sumir imediatamente. Alguma coisa acontece do outro lado da rua, ele mostra às duas mulheres e aproveita a distração delas para jogar o sapato bem longe. Uff! Aliviado, ele segue em frente. Chegam à igreja, ele estaciona o carro e vai abraçado com a mulher quando percebe a sogra ainda dentro do carro procurando alguma coisa. O final da história fica por sua conta. A Playboy publicadou essa história originalmente.

Correntes

1. Junte uma certa quantidade de anéis da tampa de latas de cerveja da marca Tal e troque-as por um brinde. Garoto paulista juntou 14 mil lacres na esperança de ganhar um computador.

2. Junte algumas centenas ou milhares de selos de uma marca de cigarros e entregue-os no escritório da fábrica. Por conta disso, um deficiente físico vai receber uma cadeira de rodas.

3. Um sujeito encontrou uma mulher muito atraente e os dois foram a um motel. No dia seguinte, ele acordou com um corte devidamente suturado: haviam lhe extraído um rim (ou os dois, conforme a versão). Uma versão diz que ele acordou dentro de uma banheira cheia de gelo.

4. Uma criança estava se divertindo num brinquedo do shopping center aí veio uma cobra venenosa e picou a criança.

5. Uma pessoa amiga de um(a) amigo(a) passeava na areia da praia aí pisou numa agulha infectada com o vírus da AIDS.

Lenda sobre uma lenda? Acredite se quiser.
6. Criança acompanhava a mãe numa loja de roupas bastante conhecida na cidade. De repente, a criança desapareceu. Apesar dos esforços do pessoal da loja, da família e da polícia a criança não foi localizada. Dias ou semanas depois, a criança reapareceu na mesma loja, mas sem um ou os dois rins, conforme a versão.

8. Uma pessoa sentou na poltrona de um conhecido cinema da cidade e sentiu uma picada no traseiro. Quando foi examinar o que ocasionara o transtorno, descobriu uma agulha de seringa com um bilhete dizendo que aquela agulha estava infectada com o vírus da AIDS.

9. Houve uma época que os homens usavam uma carteira grande ou bolsa pequena chamada, não sei por que razão, de capanga. Ao entrar no carro, o dono da capanga costumava colocá-la naquele espaço entre os dois bancos. Esse era, também, o hábito de um amigo de um amigo de não me lembro mais quem. Um dia, ele ia passando de carro por uma rua e viu uma bela jovem na calçada. Os olhares se cruzaram e imediatamente criou-se o clima adequado. Ele parou o carro. Os dois conversaram, ela entrou no carro. Conversaram. Não, naquele dia não. Talvez no dia seguinte. Mas ele poderia deixá-la um pouco mais adiante, perto da casa dela, logo ali na esquina. Chegaram, ela mostrou onde morava, desceu do carro e ele seguiu em frente. Por algum motivo, logo ele procurou a capanga ali onde ela deveria estar: entre os dois bancos. Não estava.Mas que ladra! Levou meu dinheiro, talão de cheques, cartões de crédito. Eu devia ter desconfiado. Foi fácil de mais. Voltou imediatamente, parou na frente da casa dela.A história pode prosseguir com variadas versões. Uma delas, conta que a capanga havia escorregado para baixo do banco e ele só se deu conta disso ao chegar com a jovem na delegacia para apresentar a devida queixa.
Quem se lembra daquela história de uma casal que havia prometido perder a virgindade via Internet? Quer dizer, via Internet não, pois ela não é capaz dessa proeza. A proposta (!) deles era se apresentarem ao vivo, em plena ação, diante de uma webcam (aquela camerazinha que se usa para transmitir imagens via Internet). Eles marcaram dia e hora e a notícia correu o mundo. Foi destaque em jornais, revistas, rádios, televisões e, é claro, na própria Internet. No fim das contas, tudo era uma farsa. O que os protagonistas queriam era aparecer. E apareceram.
Quando tudo foi devidamente esclarecido, veio a confirmação de que a coisa não passava de um golpe publicitário.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Mitos sobre o álcool


Mentiras e verdades sobre o álcool

1- O USO CONTÍNUO DO ÁLCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS? Não, o álcool é a mais pesada das drogas, apenas uma garrafa de cerveja, pesa cerca de 900 gramas.

2- A CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA? Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados afirmam que preferem whisky.

3- MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO? Sim. Está provado que nas blitz da polícia, eles nunca pedem pra fazer o teste nas gestantes... E quando elas tem que andar em linha reta, os guardas acham que ela está torta pelo peso da barriga.

4- CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS? Não. Uma experiência foi feita c/ mais de 500 motoristas: foi dada 1 caixa de cerveja para cada um, e, em seguida, colocaram um por um diante de um espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.

5- EXISTE ALGUMA RELAÇÃO ENTRE BEBIDA E ENVELHECIMENTO? Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar a cerveja aberta em cima da mesa por muito tempo sem um acondicionamento especial, ela perde o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.

6- A CERVEJA ATRAPALHA NO RENDIMENTO ESCOLAR? Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas com a venda de cerveja nas proximidades de bares universitários.

7- BEBIDA MATA? Sim. Anos atrás, soube-se que um rapaz, ao passear pelas ruas, foi atingido por 1 caixa de cerveja que caiu de um caminhão, levando-o à morte instantânea. Além disso, casos de infarto do miocárdio em idosos têm sido associados às propagandas de cervejas com modelos gostosas.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Comparações

"DIFERENÇAS ENTRE PRESÍDIO E TRABALHO"

PRESÍDIO - Você passa a maior parte do tempo numa cela 5x6m.

TRABALHO - Você passa a maior parte do tempo numa sala 3x4m.

PRESÍDIO - Você recebe três refeições por dia de graça.

TRABALHO - Você só tem uma, no horário de almoço, e tem que pagar por ela.

PRESÍDIO - Você é liberado por bom comportamento.

TRABALHO - Você ganha mais trabalho com bom comportamento.

PRESÍDIO - Um guarda abre e fecha todas as portas para você.

TRABALHO - Você mesmo deve abrir as portas, se não for barrado pela segurança por ter esquecido o crachá.

PRESÍDIO - Você assiste TV e joga baralho, bola, dama...

TRABALHO - Você é demitido se assistir TV e jogar qualquer coisa.

PRESÍDIO - Você pode receber a visita de amigos e parentes.

TRABALHO - Você não tem nem tempo de lembrar deles.

PRESÍDIO - Todas as despesas são pagas pelos contribuintes, sem seu esforço.

TRABALHO - Você tem que pagar todas as suas despesas e ainda paga impostos e taxas deduzidas de seu salário, que servem para cobrir despesas dos presos...

PRESÍDIO - Algumas vezes aparecem carcereiros sádicos...

TRABALHO - Aqui no trabalho, carcereiros usam nomes específicos: Gerente,Diretor, Chefe...

PRESÍDIO - Você tem todo o tempo para ler piadinhas.

TRABALHO - Ah, se te pegarem...

TEMPO DE PENA - No presídio, eles saem em 15 anos.

No trabalho você tem que cumprir 35 anos, e não adianta ter bom comportamento.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Somos Gado?

Não sou muito bom com narrativa, mas vou tentar, somente pense no que vou postar...

Todos nós temos perguntas que não podem ser respondidas, existem teorias a respeito, mas nada que convença. Aquele objeto que você perdeu e reaparece no mesmo lugar, dejavu, a sensação de já conhecer uma pessoa que acabou de ser apresentada, aparições de fantasmas e ovnis que nunca ninguêm provou, pessoas desaparecidas que nunca sequer foram achados vestigios ou corpos(era aqui que eu queria chegar).
A verdade e mais assustadora do que se pensa, existe vida inteligente além da nossa e muito mais evoluida, alias foram eles que nos criaram, por que acha que nosso processo evolutivo tem lacunas na linha da evolução, não só nos humanos mas o animais, onde estão os elos perdidos do homem, das aves e outros que não sei mencionar agora.
Eles estavam testando para chegar ao produto perfeito, de tempos em tempos eles vem, levam exemplares e mudam genéticamente a evolução e criaram o homem moderno e de todas as espécies criadas em nosso mundo, a nossa carne é a mais saborosa(para eles). Não sei como eles são, nem nunca toquei neles, mas existe uma falha e vou lhes contar...
Não sei como, mas quando eles vem para nos "colher", de alguma forma eles apagam nossas memórias, eles chegam em naves gigantescas que podem ser vistas com detalhes no céu a olho nu, não são padronizadas como nos filmes, é como uma exposição de carro, varios modelos e tamanhos dos formatos mais simples ao mais exótico, eles ficam de lá observando e escolhendo quem levar, aguardando a oportunidade, como se estivessem em um restaurante, escolhendo a lagosta no aquário e após escolher, descem com suas naves de caça e nos capturam, as pessoas começam a correr apavoradas, tentam se esconder ou se defender, mas não adianta, os escolhidos nunca escapam, não há critério. De crianças a idosos, não se sabe o porque, após o caos, eles sobem, suas naves começam a abrir nas laterais coisas como asas, elas são retrateis, todos param para ver, em outro momento as naves não estão mais no céu, se foram como em um flash, mas ao olhar em volta tudo voltou ao normal, não há gritos ou gente correndo, acabou a colheita.
Por algum motivo não sou afetado, lembro-me de tudo, em outras vezes tentei perguntar se alguêm mais tinha visto, se não se lembravam. As pessoas começavam a me chamar de louco, bêbado, me acostumei, só torço para não ser a proxima "lagosta". E agora devem estar se perguntando como eu sei que é pra comer nossa carne que fazem isto, por que não é pra nos levar para algum lugar prometido, para um paraiso para viver na eternidade como em "Coccon".
Eu conheci por um breve tempo um sobrevivente, era um mendigo, o Barba, como ele se autodenominava, ele percebeu após um ataque que eu havia percebido e tentei me recolocar em meu lugar sem apresentar angústia.
Ele chegou até mim e perguntou se tinha visto as aparições e o ataque que veio em seguido, relutei um pouco mas abanei com a cabeça que sim, ele começou a contar sobre a primeira vez que tinha presenciado um ataque, mas logo no primeiro ele foi pego, foi levado pela nave de caça para uma nave maior, lá as pessoas são colocadas em gaiolas, e aguardam. Os E.T.s são como os que são descritos aqui, pele cinza, olhos grandes, menbros compridos, só que mais robustos. Eles pegam os humanos pela cabeça como quem pega um coelho e levam para outra sala, um a um, é la que são limpos e desossados, o próprio Barba chegou a entrar lá, como saiu? Nem mesmo ele sabe, a única coisa que descobriu após isso é que tinha uma doença misteriosa e incurável, não sabe se já a tinha ou se colocaram nele, mas ele acha que foi descartado por estar estragado, ele acha graça ao falar, mas por algum motivo a memória dele não foi apagada. Ele diz que não é do Brasil e que tinha familia, mas a única lembrança clara que tem é depois de ser capturado, o resto são só borrões. Só o vi esta vez, depois ele sumiu, talvez tenha morrido.
Como eu disse não sou bom narrador, mas é isto que acontece, estamos aqui, não por uma coincidência cósmica ou por um Deus bondoso, estamos aqui por que somos carne...